Depois de uma noite regada a bebida e histórias, Texugo firmou acordo com dois aventureiros que estavam pisando em Vau Bruno pela primeira vez. Esperançoso que conseguiria reaver seu pequeno tesouro, partiu para o oeste junto a Nix, uma elfa pragmática de aparência sombria e um cavalheiresco homem, de notável erudição, chamado Efraim.

Seguiram a um passo mais lento do que o coletor estava acostumado e a viagem que estava prevista para durar um dia passou a ter de ser feita no dobro do tempo. O primeiro dia foi tranquilo e de tempo ameno, mas com a chegada da noite houve névoa e frio e no dia seguinte a visualização empobreceu, quase como se fosse um sinal de mal presságio.

Discutindo a situação, chegaram a conclusão que o melhor seria não perder o rio de vista, com isso, seguiram para o norte, de onde o rio desce, abrindo mão de ir na direção antes acordada, isto é, o oeste, como posteriormente perceberam, quando já estavam na segurança de Vau Bruno.

Envoltos na névoa densa do outono, seguiram vacilantes e cuidadosos até que um fedor de morte invadiu seus narizes e Nix advertiu que a frente estava os sinais de um acampamento destruído. Margearam o assentamento com a intenção de seguir sem chamar a atenção, mas perceberam que algo se movia na direção deles.

Desconfiados, o trio resolveu investigar do que se tratava e tal ato acabou trazendo-lhes o combate e o horror. Do meio do lugar cinco desmortos se levantaram e não houve alternativa que não o início de um combate. Magia, flecha e metal foram de encontro aos inimigos que, animados pela força das trevas, não se furtaram a luta.

Com astúcia e sagacidade, o trio manteve-se superior no combate, mas a luta é filha do caos e aos poucos a maré pareceu mudar. Efraim e Texugo foram tomados pelo horror sobrenatural e fugiram, mesmo com sua superioridade em combate. Nix, destemida ante a magia dos mortos, se viu entretanto em número menor e acabou ferida gravemente pelos monstros.

Superando o medo e tentando localizar-se após correr no meio da bruma, Efraim descobre o paradeiro dos seus companheiros, porém tarde demais para salvar a soturna elfa. Em meio a tristeza da perda, Texugo e Efraim fazem aquilo que resta para aqueles que vivem de espólios encontrados no caminho e saqueiam o acampamento destruído, encontrando uma flauta esculpida em marfim claramente muito valiosa e uma insignia antiga em forma de um crânio banhado de sangue.

Com os espólios nas mãos e o corpo da companheira, a dupla em silêncio e pressa retornaram para Vau Bruno, alimentando histórias estranhas e o temor de todos que as escutam. Respondendo com uma história amarga uma vez mais a incômoda pergunta que todos os habitantes comuns fazem quando saem de casa ou nas noites longas no outono e no inverno: quais perigos se escondem nos ermos de Vau Bruno? E será apenas o dragão adormecido o único mal?