A taverna estava repleta de murmúrios e histórias antigas quando nos reunimos naquela noite. O ar estava carregado de expectativa, e o cheiro de cerveja e carne assada misturava-se com o aroma úmido da chuva que começava a cair lá fora. Organizamos nossos equipamentos e decidimos partir ao amanhecer, sob um céu cinzento e prateado, onde as gotas de chuva caíam suavemente, sem o estrondo de uma tempestade.
Com o primeiro raio de sol, partimos, esperando chegar ao nosso destino por volta da hora do almoço, um pouco além de um denso bosque. O caminho era tranquilo, mas logo adentramos o bosque, onde algo nos chamou a atenção: uma nuvem estranha, não natural, movia-se em nossa direção. Tramir, nosso rastreador, tentou identificar o que a causava, mas seus sentidos aguçados falharam. Cautelosamente, seguimos adiante, até que avistamos as ruínas.
No topo do portal das ruínas, algo parecia ter sido arrancado ou empurrado com violência, deixando marcas profundas. Tramir se aproximou e notou rastros no chão: marcas de arrasto, como se uma criatura rastejante tivesse passado por ali, e pegadas imensas, inconfundivelmente de um dragão. O grupo tremeu, e a dúvida pairou no ar: valeria a pena entrar?
Nêmesis, a elfa astuta e meticulosa, começou a investigar. Com sua agilidade e perspicácia, ela analisou as pegadas e os rastros, tentando determinar se o dragão havia entrado ou saído. Finalmente, concluímos que ele havia partido, provavelmente para caçar. Decidimos agir rápido, sabendo que teríamos no máximo uma hora antes que o dono do covil retornasse.
Ao adentrar as ruínas, encontramos uma estrutura severamente danificada, com escadarias desmoronadas e paredes rachadas. Começamos a saquear o local, e logo descobrimos algo que nos deixou de cabelos em pé: escamas de ouro, do tamanho de travessas de comida, brilhando sob a luz fraca que penetrava pelas frestas. Mas nossa sorte durou pouco.
Fomos emboscados por esqueletos anões, vestígios de uma antiga tragédia. A batalha foi feroz, e para vencê-los, tivemos que arruinar parte da estrutura, desmoronando o teto sobre eles e bloqueando o caminho. Com o coração acelerado, retomamos o saque, levando as escamas de ouro e outros tesouros que encontramos.
Quando finalmente saímos das ruínas, uma sombra púrpura e medonha surgiu no horizonte. O medo nos consumiu, e começamos a correr, sem olhar para trás, até alcançarmos a segurança de Vau Bruno. Lá, descansamos, mas nossos sonhos foram perturbados por um espectro do mal, que exigia sangue em um pesadelo que parecia destinado a se repetir.
A expedição terminou, mas o que encontramos – e o que nos encontrou – permanecerá em nossas mentes para sempre.
Narrado por Tramir, a Palavra Viva. - Aventureiro contador de histórias.